JOAQUIM FELÍCIO DOS SANTOS
(1828-1895)
O que os municípios mineiros de Joaquim Felício e Felício dos Santos têm em comum? Poucos sabem, mas foram criados no século XX, com nomes em homenagem a um personagem mineiro histórico do século XIX: Joaquim Felício dos Santos.
Certa vez visitando uma livraria em Diamantina me deparei com o livro “Memórias do Distrito Diamantino” (Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 1976, 4ª edição), autoria de Joaquim Felício dos Santos. Comprei o exemplar e o li. Uma magnífica obra sobre a história da região de Serro e Diamantina, no Alto Jequitinhonha, século XIX. O livro não deixa você indiferente, a imersão é profunda tal é a descrição de fatos históricos da sociedade, da economia e da política local e regional.
Diante de obra tão importante, me perguntei: quem foi Joaquim Felício dos Santos? Curioso, fui pesquisar sobre sua vida e valeu a pena.
Joaquim Felício dos Santos, filho de Antônio José dos Santos e Maria Jesuína da Luz, nasceu na Vila do Príncipe (atual Serro), sede da vasta Comarca do Serro Frio, no dia 1º de fevereiro de 1828 e faleceu em Diamantina no dia 21 de outubro de 1895. Viveu 67 anos e deixou uma história de vida épica e digna de registro.
Ainda jovem iniciou seus estudos no colégio de Congonhas do Campo, e mais tarde se formou em Direito na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1850. Retornou à sua terra e fez importante carreira jurídica e política. Foi também professor, pesquisador e historiador.
Em 1855 casou-se com a sobrinha Maria Jesuína, filha do irmão mais velho. Em 1860, tornou-se representante legal dos herdeiros de Chica da Silva no processo pela posse dos bens do contratador João Fernandes de Oliveira, representante da Corte de Portugal na região de Diamantina no controle e extração de Diamantes no século XVIII. Sobre Chica da Silva, foi o primeiro a relatar sobre sua vida no seu livro. Até então, Chica da Silva era uma personagem conhecida apenas na região.
Também, em 1860, fundou o jornal semanário “O Jequitinhonha”. Passou a escrever artigos sobre o Distrito Diamantino e sobre política. Se envolveu na política com atuação marcante. Foi eleito deputado geral (1864-1866), durante o Segundo Império, mas não concluiu o mandato em protesto à negação de suas ideias liberais. Com a queda do Império em 1899, foi eleito senador em 1890 representando Minas Gerais. Foi aclamado presidente da Constituinte e em 1893 apresenta projeto de novo Código Civil brasileiro.
Ao final de sua vida, muito doente, passou a maior parte do tempo no Biribiri, quinze quilômetros distante de Diamantina. Ali funcionava uma fábrica de tecidos fundada em 1876 que ajudou a fundar. Hoje é um ponto turístico do município.
Faleceu em 1895 e foi sepultado na Capela do Biribiri, atendendo desejo seu. A igreja ainda permanece imponente, muito bem conservada. No seu interior descansa eternamente um personagem histórico da região diamantinense e do Brasil, fato que passa despercebido por quem ali transita.
Depois, os restos mortais foram removidos para a Igreja de São Francisco, na Vila de Diamantina. Segundo o sobrinho Antônio Felício dos Santos, "não poderia estar melhor do que sob a invocação do seráfico e humilde pobre de São Francisco de Assis".

(Capela do Biribiri, Diamantina)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SANTOS, Joaquim Felício dos. Memórias do Distrito Diamantino (4ª edição, Belo Horizonte: Itatiaia, 1976, 338 páginas).

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